NILS KASTBERG
 
No dia 7 de junho de 1928, desembarcaram em Recife os missionários Nils Kastberg e esposa, sendo recebidos pelo missionário Joel Carlson, que pastoreava a igreja naquele Estado. Os primeiros tempos foram de adaptação e de aprendizado do idioma, como acontece com todos os recém-chegados em terra estranha. Não tardou muito em iniciar suas atividades pois acompanhava os irmãos em suas visitas às cidades do interior. Em janeiro do ano seguinte, participou com alguns irmãos de uma visita à igreja dirigida pelo pastor Cícero de Lima, no Estado da Paraíba.
A confiança adquirida por Nils Kastberg, entre os crentes de Recife, outorgou-lhe a direção da igreja por dois anos, durante a ausência de Joel Carlson, que viajou para a Suécia. Registrou-se um incremento material e espiritual nesse período, do qual muitos crentes ainda se lembram e comentam satisfeitos.
Transferiu-se para o Rio de Janeiro, assumiu, a 8 de julho de 1934, o pastorado da Assembléia de Deus em São Cristóvão (rua Figueira de Melo, 232). A igreja não tinha casa própria. O salão de cultos era insuficiente e inadequado para uma igreja situada na Capital da República. O espírito combativo de que era possuidor encetou a campanha, em 1937, para a construção do templo; o local escolhido foi o Campo de São Cristóvão, 338. A boa acolhida a este empreendimento, o apoio moral e financeiro vindo de todo o Brasil, culminou com a inauguração do templo, um ano depois, a 4 de março de 1938, com repercussão em todo o território nacional. Após essa vitória concedida pelo Senhor, Nils Kastberg, em 27 de novembro do mesmo ano, entregou o pastorado a Samuel Nyström.
Entre outras cidades, cujos trabalhos foram dirigidos por ele, então Nova Friburgo e Belo Horizonte. Em Venda Nova, foi apedrejado e, em outras ocasiões, sofreu atentados à sua vida, passando por muitos perigos em viagens a locais montanhosos e de difícil acesso.
Nils Kastberg nunca recebeu ordenado. Em certa ocasião, foi votada em seu favor a importância de 60 mil réis para ajudar no pagamento da garagem onde a igreja se reunia, mas ele destinou essa importância às obras de construção do templo. Sua ajuda financeira vinha exclusivamente da Missão. Era um homem cheio do fogo do Espírito Santo. Os hinos eram cantados em ritmo acelerado como para divergir da monotonia das denominações ao redor. Instava com o povo para que se mantivesse em marcha. Comparecia aos cultos ao ar-livre e, durante a construção, carregava tijolos num carrinho, esquivando-se do irmão Gênesis, que o admoestava nesses casos. Grande companheiro, honrava sempre os demais obreiros e, muitas vezes, por ocasião da Ceia, entregava a direção do culto ao pastor Paulo Macalão. De três em três meses, promovia uma confraternização para o que chamava de “acertar os relógios”, à qual compareciam todas as igrejas da Capital e dos Estados vizinhos. Nessas reuniões era unificada a doutrina da Assembléia de Deus.
Nils Kastberg escreveu os livros “Alerta”, “A Igreja” e “Sangue e Fogo”. A Harpa Cristã contém dois de seus hinos, em parceria com Emílio Conde (342 e 286). Foi colaborador dos jornais “Boa Semente”, “Som Alegre” e “Mensageiro da Pa\”, do qual foi diretor por vários anos.
A vida Laboriosa de Nils Kastberg teve fim em princípio de abril de 1978, na Argentina, onde há muitos anos vinha trabalhando pela salvação das almas. Um acidente de automóvel foi o meio escolhido por Deus para dizer ao servo: “Bem está, servo bom e fiel; entra no gozo do teu Senhor”.
Informações Extraídas:
- História das Assembléias de Deus no Brasil, CPAD, 2ª edição, 1982.
- Fotos: História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil – CPAD – 1º edição – 2004.
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